quinta-feira, 2 de agosto de 2012

REDAÇÃO NO VESTIBULAR - O DRAMA DOS ALUNOS


O ENEM está lançando um guia sobre a redação do ENEM-2012. Redação que pede aluno engajado, que espera alunos com um entendimento crítico e não apenas apresentem um bom texto.
Ótimo! Porém não nos esqueçamos da baixa qualidade do ensino e do tipo de leitura que circula nos colégios e cursinhos.
Em primeiro lugar os alunos não têm domínio da língua pátria por conta da deficiência do sistema educacional. Aí já eles encontram o primeiro entrave para a avaliação da redação. Recente comentário de um professor universitário incluía a necessidade de aulas de reforço aos alunos, antes de ingressarem na Universidade, devido não só a falhas no sistema educacional, mas também pela diversidade de origens dos respectivos alunos. Isso ajudaria a vencer grande barreira – escrever correto e o entendimento de textos.
Segundo o guia haverá destaque para temas envolvendo questões sociais, participação popular e regras de convivência em grupo. Espera que o aluno não só aponte os problemas, mas que apresente soluções ou caminhos para solucioná-los respeitando os direitos humanos. Descarta por exemplo, que o aluno em sua redação faça cobranças dos outros, mas que também assuma responsabilidades perante o problema apontado. É verdade que atualmente graças aos noticiários televisivos, e ao uso da internet, os jovens têm acesso a um sem número de informações; porém, justamente a imprensa tem sido portadora de uma avalanche de informações sem muito critério. Distorções sobre certos assuntos, declarações contraditórias sempre ocorrem, e os jovens ainda não têm maturidade suficiente para discernir e decifrar o emaranhado do discurso apresentado muitas vezes em tom tendencioso.
Na vida tudo está relacionado entre si. O processo de assimilação dessa relação tem que ser cultivado desde cedo. E cada aluno tem sua vivência dentro de realidades próprias.
Certa vez assumi o compromisso de fazer um aluno vencer a dificuldade de fazer redações simples. O garoto era um tagarela. Tinha um bom vocabulário, mas na hora de escrever se perdia. Aproveitei o tema de sua preferência – a fazenda do pai – e sugeri que escrevesse o que ele tinha tanta facilidade para me relatar. Não saiu nada. Sugeri que lesse um capítulo do livro - “Caçadas de Pedrinho” – (Monteiro Lobato) e depois contasse com as palavras dele. Ele não gostava de ler, mas aceitou a tarefa. Começou a entender que escrever é como conversar... Na terceira tentativa acertou. O texto tinha começo, meio, fim. Entusiasmado não parou mais de ler. Aprendeu a usar o Dicionário para melhorar o vocabulário e ter sempre uma alternativa quando uma palavra lhe fugia da memória. Resultado: tornou-se um ótimo aluno em todas as disciplinas.
Leitura de bons livros é de que necessitam nossos alunos e praticar criando textos novos onde eles podem expressar seus pensamentos sem medo de errar. Parece incrível, mas conheci jornalistas incapazes de escrever um texto simples!
Em resumo: escrever é o mesmo que conversar. Numa prova de redação, a nosso ver, o mais importante é o domínio da linguagem escrita correta; a seguir temos a coordenação do texto; o conteúdo informativo está implícito no contexto; e a opinião pessoal pode ser usada como uma finalização do texto.
Uma técnica para se escrever sem perder o foco é selecionar palavras chaves que darão a orientação geral do texto. Ampliar o vocabulário consultando sempre o Dicionário. A língua pátria é rica em termos e expressões de várias origens o que, se bem aproveitado, pode resultar em um texto que vai refletir melhor o nível do aluno. Praticar, praticar, praticar... Sem medo de errar. Os erros devem ser corrigidos tantas vezes quantas forem necessárias. É o que manda a boa e velha didática.