Abril, um mês de muitas homenagens, fatos históricos a rememorar, e mais
o Dia do Livro, Dia da Biblioteca, Dia do Escritor, Dia de Monteiro Lobato, Dia
da Leitura... – muito bom que haja um incentivo à leitura para que o cidadão
tenha oportunidade de mergulhar nesse mundo encantado da palavra guardada nas
páginas de um livro. Muitos dizem que não viajam sem levar um livro para ler;
pessoalmente prefiro ‘ler’ os lugares que visito, e, normalmente volto com algum livro novo para ler tranquilamente
em casa!
Partilhando leituras: - Dediquei este mês à publicação de resumos de
leituras que fizeram parte da nossa página no Shvoong.com até setembro/2014. Para
encerrar o ciclo de leituras selecionadas para o período, segue abaixo um resumo (que mereceu 2993
visitas e 18 avaliações) - do livro “Monteiro Lobato das Crianças” do goiano
Alaor Barbosa um admirador e estudioso
da obra de Lobato onde fala da vida e obra de um dos principais autores
nacionais do inicio do século passado.
“MONTEIRO LOBATO DAS
CRIANÇAS” (Alaor Barbosa )
Utilizando o recurso do diálogo, o
autor vai satisfazendo a curiosidade de "Tide" sobre o significado
das palavras, fatos históricos do país, curiosidades das cidades brasileiras,
literatura, autores, etc., . Traça o perfil biográfico de Lobato, desde a infância
quando conheceu o Imperador D.Pedro II, que ao passar pela Província de
S.Paulo, se hospedou na casa do seu avô o Visconde de Tremembé.
Fala sobre a vida de Monteiro Lobato, ou o Juca como era conhecido,
destacando que ele gostava de pintar mais para se satisfazer; lia muito na
biblioteca do avô Visconde, especialmente "Robinson Crosué" - pois na
época não havia literatura nacional para crianças. Sem as modernidades de hoje,
como brinquedo ganhou dois cavalinhos; um de circo, ensinado e outro o
"piquira", que faziam a alegria das crianças da rua onde morava.
Estudou no Colégio Americano de Taubaté. Seu verdadeiro nome de batismo era
José Renato Monteiro Lobato. Encantou-se com a bengala de ouro de seu pai que
tinha gravadas as iniciais J.B.M.L às
quais não coincidiam com as de seu nome (J.R.M.L); como iria no futuro usar a
bengala? - com a autorização dos pais trocou o nome de Renato, por Bento.
Quanto a bengala..., não se tem notícias
de que a tenha usado.
Ainda no Colégio de Taubaté, criou um
jornal, o menor do mundo: H2O = "Agá Vinte", com tiragem de um só
exemplar e uma única página; era lido por ele e servia para mexer com os
colegas, o que nem sempre agradava. Estudioso, lia o Dicionário (Caldas Aulete)
para aprender o significado das palavras e saber usá-las corretamente. Apesar
de tanto estudo, em 1895 quando foi estudar em São Paulo, foi reprovado em
português, fato que o deixou muito aborrecido.
Seu avô queria que ele estudasse Direito, mas
ele queria cursar a Escola de Belas Artes. Acabou seguindo os conselhos do avô,
formando-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco.
Seus primeiros livros foram escritos
com pseudônimos - (JOSBEM, Gustavo Lannes, Matinhos Dias,Olga de Lima, Nero de
Tal, She, Lobatoyewsky, etc); seu primeiro artigo foi publicado no jornal
"O Guarani"- do colégio; publicou muitos contos, crônicas, etc.
Em tempos de estudante em São Paulo
morou com um grupo de amigos num chalé do Brás que recebeu o nome de Minarete e
se tornou ponto de encontro de estudantes. Entre os amigos estava o estudante
Godofredo de Moura Rangel e Ricardo, repórter do "Correio
Paulistano". As primeiras publicações dos moradores do Minarete foram
feitas num jornal de Pindamonhangaba (S.P), fundado por Benjamim Pinheiro,
ex-colega. Monteiro Lobato chegou a publicar um romance em tom de brincadeira
"Lambeferas".
Como advogado, foi nomeado Promotor de Justiça de Areias - Ficou 4 anos
(1911) onde escreveu "Cidades Mortas". A correspondência mantida
durante 40 anos com Rangel que voltara para Minas, foi publicada com o nome de
"Barca de Gleyre".
Com a morte do avô Visconde de
Tremembé, Lobato recebeu de herança a fazenda de "Buquira". Os contos
dessa época estão publicados em "Urupês"(1918). Nessa época cria seu
personagem "Jeca Tatu", retratando o caboclo brasileiro; o personagem
vai aparecer em vários de seus contos, como em "A Vingança da Peroba"
e "Bucólica". Esse personagem foi motivo de muita polêmica. Fez a
versão infantil com o "Jeca Tatuzinho". Lobato admitiu - o problema
do roceiro era pobreza e falta de saúde.
Não existiam quase editoras no
Brasil, provocando falta de livros. Alguns escritores brasileiros como Joaquim
Nabuco, Guilherme de Almeida e Osvaldo de Andrade escreviam em francês...
Aliás, era moda falar em francês nas reuniões sociais em São Paulo e Rio de
Janeiro. Monteiro Lobato não concordava com essa situação. Ele trabalhava na
"Revista do Brasil". Tornou-se o diretor e passou a publicar livros
dele e de outros escritores, como Olavo Setúbal, Lima Barreto, Gustavo Barroso,
Hugo de Carvalho Ramos, etc. Em pouco tempo, de trinta livrarias passou para
mais de mil estabelecimentos comerciais vendendo livros inclusive em farmácias.
O seu trabalho editorial foi interrompido com a revolução de 1924 - Lobato
faliu. Tempos depois fundou a Cia Editora Nacional.
Seu trabalho com livros infantis teve
início a partir de uma história que um amigo lhe contou: "História de um
peixinho que morreu afogado". Adaptou o tema e publicou "Lúcia, ou a
Menina de Nariz Arrebitado", e finalmente com o título de "Reinações
de Narizinho". Dos tempos de infância foi resgatando lembranças,
escrevendo, criando novos personagens: “O Saci”, ‘Dona Benta’, “Tia Nastácia”,
“O Visconde de Sabugosa”, etc.
Entre 1927 e 1931 Monteiro Lobato foi
adido comercial da Embaixada do Brasil nos EEUU. Aproveitou para conhecer o
país e o progresso. Em 1926 escreveu um livro de ficção científica: "O
Presidente Negro", ou "Choque de Raças" (ano de 2228). Escreveu
também "América" - livro voltado para os problemas sociais e
econômicos, o petróleo, o aço, etc.
Voltou ao Brasil preocupado com o
desenvolvimento do país. Escreveu alguns artigos como "Problema
Vital", "Ferro", "O Escândalo do Petróleo", procurando
demonstrar que havia petróleo no Brasil. Em 1931 foi preso por ter escrito uma
carta ao então presidente Getúlio Vargas, defendendo a exploração do petróleo
brasileiro. A carta foi considerada ofensiva. Posteriormente escreveu outra
carta que fez com que o ditador Getúlio Vargas mandasse soltá-lo. Mais tarde o
petróleo que tanto Lobato defendia apareceu em Lobato na Bahia, conforme
previsão feita por ele no livro "O Poço do Visconde" (1937).
Monteiro Lobato além de escritor foi um homem
de lutas, campanhas, industrial, empresário que acreditava naquilo que defendia:
- as riquezas que o Brasil possuía se bem exploradas e utilizadas
transformariam o país.