terça-feira, 9 de dezembro de 2014

AVALIAÇÃO ESCOLAR: MARQUE UM ‘X’ – OU PROVA DE CONSULTA.


Considero a avaliação escolar a melhor forma de reforçar conhecimentos. É um erro e um desrespeito para com o aluno, ‘queimar etapas’ transformando a sala de aula em um encontro de professores e alunos, onde o professor tenta passar conteúdos (sem um programa) e os alunos fazem de conta que estão interessados em aprender. É só observar sua maneira de sentar. Pela postura dá para perceber o quão desinteressados  estão pela aula. E menos pelas avaliações.

Marque um ‘x’, escolha a resposta correta, faça a correspondência, responda, redija um texto sobre... São algumas das formas utilizadas para avaliar o aprendizado. De minha parte, a que menos me agrada é a do marque um ‘x’, pois no meu ponto de vista não avalia de fato o real conhecimento do aluno.  Estou há tempo distante das salas de aula. No entanto, presto atenção ao que se diz sobre a situação atual da educação. A começar pela aprovação automática no ensino básico,  que não passa de um engodo, uma grande mentira que desmotiva o aluno em geral. Tempo e recursos são desperdiçados em troca de índices fictícios de aprovação – aprovação de analfabetos, a bem da verdade.

O tipo de avaliação feita através dos provões aplicados a milhares de estudantes do ensino médio e os resultados obtidos dizem tudo: - falta seriedade na condução do ensino público que nem um currículo mínimo tem, e, cujos conteúdos sem um planejamento, são decididos pelos professores de acordo com suas orientações pessoais. Prevalece o ‘politicamente correto’ e os alunos já sabem que tem que responder o que os examinadores querem, caso contrário serão reprovados.

Em minha vida de estudante tive a oportunidade de passar por inúmeras avaliações escolares e posso garantir que de uma forma ou outra, todas elas sempre nos proporcionaram um reforço de conhecimentos e melhoria do aprendizado.

No titulo escrevi: “Prova de Consulta” – O assunto é sério e foi uma das melhores formas de avaliação utilizada por alguns professores na Faculdade. Mas, os professores deixavam bem claro que os alunos tinham que ler muito – a bibliografia era extensa – caso contrário não teriam chance de bons resultados numa prova de consulta. As questões, abrangentes, exigiam que o aluno dominasse o assunto de forma geral. Isso lhe permitia consultar um ou outro livro ou anotação em fichas de leitura,  durante a prova, para poder fazer alguma citação especifica com segurança. Para tal, era evidente que o aluno tinha que, em poucos minutos, saber onde encontrar o detalhe e tirar a duvida.

Um dia, ao marcar uma avaliação para uma classe de 2º. Colegial, os alunos reclamaram que a matéria do bimestre além de extensa era difícil, e eles também teriam que estudar para outras provas no período.
Em tom de desafio, eu disse: - Se quiserem posso programar uma prova de consulta. Os alunos vibraram. Expliquei que eles precisavam estudar para pelo menos saber onde encontrar as respostas que achassem mais difíceis, pois não seria mera cópia.
Para que pudessem fazer a prova com tranquilidade foi escolhido um dia de aula dupla. Os resultados foram ótimos para quem se preocupou em ler sobre os temas. Boa parte da classe com 45 alunos, considerou que a prova fora difícil, porem haviam tido um reforço no aprendizado sobre  os temas abordados. Só pequeno numero de alunos que não levou a sério a orientação para se prepararem com as leituras indicadas é que não gostaram do tipo de avaliação.  Foi uma experiência valida que muitos alunos levaram para seu preparo para o vestibular – naquele tempo ainda não havia os cursinhos.

 Quando fui fazer vestibular (geografia / história) tive um mês para tomar conhecimento dos assuntos que seriam objeto das provas e me preparar para os exames escritos e orais com banca de três professores; meu irmão mais velho, que já estava na Faculdade, me apareceu no pensionato com uma pilha de livros e recomendou: leia tudo isto, de capa a capa sem se preocupar com a lista de pontos. Foi o que fiz. As provas se tornaram relativamente fáceis, pois eu conseguira abranger os assuntos como quem lê um romance, com começo, meio e fim.

Passei essa técnica aos meus alunos. Leitura. Muita leitura. Esse é o segredo do aprendizado. O conhecimento da língua pátria torna-se imprescindível. E é um dos principais obstáculos na educação atual. Marcar um ‘x’, é avaliação para analfabeto. ‘X’ era a assinatura de quem não sabia ler nem escrever.